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Chargeback, como lidar com esse mal crescente?

Muitos clientes lá da Contabilidade Sem Fronteiras tem passado por maus bocados com os chamados chargebacks, que são as compras realizadas através de cartão de crédito que não são reconhecidas pelo dono do cartão.

Esse problema é cada vez maior, pois a utilização de cartões para as compras, em detrimento do dinheiro em espécie, é muito maior em relação a outras formas de pagamento. No entanto, com esse aumento os empresários acabam tendo dificuldades pois gera um prejuízo cada vez maior em seus caixas e contabilidades.

Responsável por milhões em prejuízos, o chargeback é conhecido como o pesadelo de lojistas de e-commerce e um mal que assombra os novos empreendedores do comércio eletrônico e até mesmo do comércio tradicional de rua. A lei garante ao usuário do cartão de crédito que ele possa cancelar, ou estornar, compras que ele alegue não conhecer. Porém, como ponta mais fraca da negociação, quem paga por esse mal é o lojista, afinal, o usuário não paga, a administradora não repassa o valor ao comerciante e o empresário acaba ficando sem o produto e sem o dinheiro.

Chargeback esta se tornando uma prática tão comum, que a cada dia surgem novos fraudadores e quadrilhas especializadas nesse tipo de golpe. Essas quadrilhas/fraudadores profissionais focam em negócios em fase inicial e em empreendedores com pouca experiência, compra com eles e acabam dando prejuízos a inúmeros negócios, principalmente nos negócios digitais. E acredite, essa prática acaba até mesmo levando a falência devido aos grandes prejuízos sofridos por esses empresários iniciantes.

Não bastasse o prejuízo pelo não recebimento pelas vendas efetuadas, o lojista ainda pode ser surpreendido pela bizarra situação de passar da posição de lesado para a de devedor da administradora. Suponhamos a situação em que o lojista efetua várias vendas e muitas delas são recusadas pela administradora. Independentemente das outras transações serem legítimas ou não, elas respondem pelo valor das transações fraudadas e portanto, devem ser usadas para reposição de valores que tenham sido sacados pelo lojista antes da negativação da compra. É justamente nessa situação que muitas lojas virtuais encerram suas atividades. Como o fluxo de vendas é interrompido, mas não o fluxo de negativação de compras já efetuadas, o resultado é um saldo devedor na conta do lojista afiliado.

O problema reside, na realidade, na verificação de segurança da compra para o lojista. Vamos à vida prática: o cliente entra no site ou lojista, fornece RG, CPF, telefone, dados do cartão, etc. O sistema do lojista automaticamente envia para a operadora do cartão esses dados, a operadora comunica que autoriza a compra e pronto, crédito concedido. O problema é que a operadora do cartão de crédito só valida dos dados do cartão e não se o comprador é realmente o comprador. Aí que esta a causa do prejuízo.

E não é fácil detectar fraudadores. Por exemplo: se o cliente José da Silva que já comprou com cartão de crédito há dois meses, retorna no seu site realizando uma nova compra e informando um novo endereço de entrega, trata-se do próprio cliente ou de um fraudador que roubou seus dados?

É diante desta fragilidade do meio de pagamento via cartão que compradores mal-intencionados ou vítimas de dados roubados praticam os chargebacks, questionando posteriormente a origem do débito na fatura e sendo ressarcidos. Pois, sem ser necessária a apresentação de prova ou indício de irregularidade na compra, a administradora cancela a operação, estornando o valor do lojista que amarga, além desse não recebimento ou estorno, a perda do produto enviado e o prejuízo do frete. Como o prazo para o aviso de cancelamento e estorno, por parte da administradora, pode ser de até 20 dias, nesse período o lojista já emitiu a nota fiscal e enviou o produto, aumentando assim os prejuízos com as despesas logísticas, da seleção do produto à entrega, somados ainda os impostos.

Então, o que fazer?

Existem três saídas:

  • Usar apenas boletos bancários em sua loja virtual, o que seria inviável ja que perderia muitas vendas;
  • A contratação de  ferramentas de análise de crédito como F-Control e Clear Sale;
  • Utilização de um facilitador de pagamento que garanta as vendas aprovadas como por exemplo o PagSeguro, Pagamento Digital, PayPal, MercadoPago, etc.

Nas duas últimas situações, a loja virtual incorrerá em um custo a mais em termos de taxa de intermediação nas vendas efetuadas pelo cartão, mas assim você reduz ou elimina o risco do chargeback.

Agora que você já sabe o que é chargeback e suas implicações sobre o desempenho da sua loja virtual, fique atento a essa questão e previna-se contra um dos maiores inimigos do seu e-commerce.

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Empreendedor Magnético

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