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Impeachment e a economia do país

Impeachment e a economia do país

O acolhimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, terá efeitos negativos sobre a economia do país, de acordo com analistas internacionais — Embora a reação dos mercados tenha sido positiva, com a Bolsa operando em alta e o dólar, em baixa.

O agravamento da crise política chega num momento muito ruim para o país e tende a colaborar para a formação de um cenário econômico extremamente tempestuoso, afirmam os especialistas — Mas, ao mesmo tempo, ironicamente seria o timing ideal para as pretensões da presidente em evitar seu afastamento.

“Independentemente do resultado final, o processo paralisará o Legislativo brasileiro e vai impedir a análise da reforma fiscal, algo crucial para a recuperação do país. Mas, para Dilma, ocorre antes do que estimamos que poderá ser o pior momento para o Brasil, o período entre o segundo e o terceiro trimestres de 2016, quando a economia promete piorar e oferecerá um cenário bem mais difícil para a presidente”, afirma Angela Bouzanis, economista da FocusEconomics.

A economista ainda completa: “O governo brasileiro está em uma posição horrorosa. Há inflação, juros altos, preço baixo para produtos de exportação e todos os problemas ligados à corrupção e às contas públicas. A única forma de responder é aprovar reformas em um ambiente politicamente hostil.

Jill Hedges, vice-diretora da consultora Oxford Analytica, diz que o processo de impeachment poderá tornar inevitável um novo rebaixamento da economia brasileira pelas agências de classificação de risco, o que faria o país ainda menos atraente para os investidores internacionais:

“A economia encontra-se em péssimo estado e o governo não tem como fazer nada. As crises estão se alimentando uma das outras, e mesmo empresas como a Petrobras e a Vale estão em dificuldade. E as recentes desvalorizações do real, que poderiam ajudar as exportações, não têm surtido o efeito desejado”.

Robert Ward, da Economist Intelligence Unit, endossa as opiniões. Para ele, as discussões sobre o afastamento de Dilma prometem causar danos que aprofundarão a crise econômica e vão contribuir para um crescimento da relação entre dívida e PIB para a casa de 70% até o final de 2016 — “O Brasil está enfrentando a tempestade das tempestades”, afirma o especialista.

*Adaptado de BBC Brasil

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Empreendedor Magnético

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